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Estado de calamidade financeira completa um ano no Rio

Servidores ainda sofrem com salários atrasados

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Com a crise, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, tem sofrido desgaste constante. (Foto: Agência Brasil)

Um ano após a decretação do estado de calamidade financeira no Rio de Janeiro, ainda há poucos sinais de recuperação da crise. Os mais afetados são os servidores, que até hoje têm salários atrasados pagos em parcelas:

"Vivemos endividados, no vermelho, pessoas doentes, com câncer, com parkinson, passando fome, recebendo cestas de caridade", lamenta uma aposentada. Outra servidora revela que precisa de ajuda para o tratamento de um câncer:

"Estou sendo obrigada a recorrer a determinadas pessoas e aí eu me pergunto por que? Nós não precisamos? Eu estou doente, eu tenho câncer. Infelizmente, nós não temos nenhum tipo de respeito".

No final do mês passado, deputados aprovaram a extensão até 2018 do estado de calamidade, que permite que o governo ultrapasse os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2016, as contas fluminenses tiveram um déficit de 10 bilhões de reais. E a previsão para este ano é pior: a expectativa é que o Estado termine 2017 com um rombo de 21 bilhões de reais.

Com a crise, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, tem sofrido desgaste constante. No final do mês passado, o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, rejeitou de uma só vez 8 pedidos de impeachment contra Pezão. Entretanto, a oposição já entrou com outro pedido, após o Tribunal de Contas do Estado recomendar a rejeição das contas do Governo do ano passado.

Para tentar solucionar a crise, o Executivo aposta no pacote de medidas que está em votação na Alerj, e no plano de recuperação fiscal da União aos Estado. As medidas já foram praticamente todas votadas e aprovadas pela Assembleia Legislativa do Rio, entre elas as consideradas mais importantes pelo Governo, como o aumento da alíquota de contribuição previdenciária dos servidores do estado e a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos. A venda da Cedae era considerada essencial para a negociação do socorro federal, que também já foi aprovado e concede anistia à dívida do Rio com a União por três anos e permite a concessão de novos empréstimos de até 6 bilhões e quatrocentos milhões de reais.

Ao anunciar o pacote de medidas de austeridade, o Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão defendeu as mudanças e pediu o apoio dos servidores:

"São medida duras, ninguém aqui está satisfeito. São medidas que mostram o horizonte que nós podem atravessar essa turbulência, essa queda que nós tivemos do nosso PIB, das nossas receitas. Hoje, não tem mais como nós não financiarmos o déficit que nós temos e garantir o pagamento das folhas de pagamento se nós não tomarmos esse medida. Nós precisamos de ajuda".

Mesmo com a aprovação das medidas, muitos programas continuam suspensos. É o caso do restaurante popular, que oferecia refeições a 2 reais, e das bibliotecas-parque, que além de disponibilizarem livros à população mantinham atividades culturais.  

Um dos símbolos da crise, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro deveria iniciar as aulas em dezembro, mas só retomou as atividades em abril por falta de condições básicas, como limpeza e material. Outro caso que chamou atenção foi o de músicos, bailarinos e funcionários do Theatro Municipal, que fizeram um grande espetáculo em forma de protesto no mês passado contra o atraso dos salários e o sucateamento da cultura no Estado.

Por Maíra Gama, às 16/06/2017 - 23:21

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